quinta-feira, 10 de março de 2016

XXVI

- Calma não te vou fazer mal…

Johanna reconhece a voz. É aquele homem, Yuri. Minimiza a tentativa de resistir e fica na expectativa.

- Se queres viver tens de vir comigo, sou a tua melhor chance. Vou destapar-te a boca, não grites, por favor.
(Yuri retira a mão da boca de Johanna)
- E devo confiar em si só por causa daquele discurso sobre a promessa ao seu irmão?
- Por isso e porque sabes que sozinha dificilmente sairás daqui com vida.
- Digamos que estou convencida, vai largar-me?
- Se prometeres não fugir. Não temos tempo a perder.


Katerina dirige-se à porta da sala de vigilância com o olhar faiscante de raiva. Sobe as escadas de dois em dois degraus. Ao cimo das escadas segue pela esquerda. Percorre o corredor em passo apressado mesmo com as botas que tem calçadas. Chega rapidamente à porta o fundo desta e por esta entra para uma pequena sala com duas portas uma em frente e outra à direita. Dirige-se à que está à direita. Coloca a palma da sua mão direita num retângulo ao lado da porta e esta abre. Entra e a porta fecha-se atrás de si. Está num jardim.


Yuri ainda não largara Johanna e estavam ambos a ser observados por aquele enorme tigre do outo lado do vidro. Subitamente este coloca as patas novamente no chão emite um som que se assemelha a um ronronar de um gato (um grande gato), volta-se e desaparece rapidamente da frente deles.

- Vamos! Este comportamento só tem uma explicação…
- Qual?
- A Katerina está no jardim! Vamos, não podemos deixar que ela nos veja!

Yuri agarra na mão de Johanna, que mal tem tempo de recuperar o sabre japonês que deixara cair antes de ser puxada na direcção da porta mais próxima. Entram e encostam-se ambos à porta. Yuri olha para Johanna, depois para o sabre na sua mão e sorri.

- Continuas a não confiar em mim… assim é que é.
- … mesmo que confiasse isto não ficaria bem no chão daquele corredor.
- Tens razão…
- E agora qual é o plano?


Katerina atravessa o jardim decididamente mas parece estar expectante. De repente, vindo da sua direita, um tigre enorme aproxima-se dela. Ela pára ele aproxima-se. Faz-lhe uma festa no alto da cabeça.

- Então Félix, o que andavas tu a fazer meu bichinho? Estou com pressa não tenho tempo para brincar contigo.

Katerina retoma o caminho que levava em direcção a outra porta na extremidade do jardim oposta àquela por onde entrara. O tigre olha, roda a cabeça para a esquerda e emite um rugido breve mas profundo. Katerina segue em direcção à porta. Quando a alcança digita um código num painel na própria porta e esta desliza para dentro da parede permitindo-lhe a passagem. A porta fecha-se mesmo a tempo de impedir que o tigre a conseguisse seguir. Está noutra pequena sala da qual sai pela única outra porta existente após a ter aberto por leitura da palma da sua mão. Está no canto mais à esquerda de um hall decorado de forma simples mas elegante. A meio da parede oposta à sua esquerda está uma única porta. Na parede à sua direita, mais três portas além da de onde veio. A parede mais ao fundo não tem qualquer porta, apenas um grande quadro com a imponente figura de um homem de olhar altivo mas ao mesmo tempo sinistro. Dirige-se à porta na parede oposta. Para entrar, além da leitura da palma da mão direita digita um código que abre um painel onde coloca a cabeça. Um feixe de luz verde faz a leitura do seu olho esquerdo e a porta abre-se finalmente. Entra num corredor comprido todo em vidro que passa por cima de uma cascata. No fim do corredor entra num pequeno hall onde um feixe de luz azul faz o scan do espaço. A porta à sua frente abre-se e ela entra.


- Plano? Vamos aproveitar a distração que ele proporciona para fugirmos.
- Ele quem?
- Isso não interessa. O que interessa é que ela vai estar distraída e isso dá-nos a melhor oportunidade que poderíamos ter.
- Porque que é que fico com a impressão que me está a esconder algo importante?
- Minha linda, acredita que estar-te a contar a história agora só nos faria perder tempo.


(continua)


FATifer

8 comentários:

  1. Vá, manda lá mais!

    A malta roí-se na expectativa...

    :)

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    1. Caro amigo,

      A malta que tenha calma que estou perante um outro dilema criativo :P
      (estou indeciso entre várias ideias para o rumo e conclusão desta narrativa)

      Grande abraço,
      FATifer

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    1. BM,

      Entristece-me não aceder a um pedido teu, tão educado e tudo mas ainda não escrevi mais!
      Como dizia ali em cima estou indeciso entre várias ideias…

      Beijinhos,
      FATifer

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  3. Tal e qualmente isso Sô Gil :))
    E o FAT já deu por isso e castiga... castiga... castiga eheheheh

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    1. noname,

      aaaa… até podia ser mesmo por sadismo, como já fui acusado (e verdade seja dita que, em geral, não gosto de ter fama sem ter proveito – daí que nos comentários do capítulo anterior ter dito que adiei a publicação deste). Mas, como afirmei acima, ainda não escrevi mais :(

      Felizmente não é nenhum bloqueio, apenas uma indecisão criativa que solucionarei em breve ;)

      Beijinhos,
      FATifer

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  4. Já li, e fico à espera que isto leve um impulso forte...:)

    Beijinhos, FAT!

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    1. Janita,

      É exactamente a sensação que está na altura de caminhar para uma conclusão à altura que me coloca neste pequeno compasso de espera… (hoje não estou inspirado)

      Beijinhos e bom fim de semana,
      FATifer

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