segunda-feira, 7 de março de 2016

XXV

Johanna entra na sala ao fundo do corredor. Parece ser uma sala de treino. Está escuro. A única luz provem da pequena luminária que indica a saída de emergência. Ao segundo passo que dá a sala ilumina-se. Deve ter um sensor, pensa. Olha em volta. À sua frente tem um espaço com equipamentos para musculação que ocupa cerca de metade da sala. A outra metade tem um tatami e várias armas nas paredes.

- Menina Katerina os homens estão a postos à entrada sul da sala de treino.
- Muito bem Petre e ele?
- Aproxima-se da entrada norte.
- Manda-os entrar e tomar posição.
- Sim menina.
- Katerina…
- O que foi Yuri, já te disse que não vou a lado nenhum! Petre coloca o áudio das comunicações nos altifalantes, quero ouvir o que se passa.

Ficam a olhar para os monitores. Observam os homens a entrar na sala e a tomarem posição, ficando a aguardar a entrada do alvo pela porta norte. Ninguém quebra o silêncio. Petre comunica-lhes que o alvo se está aproximar da porta. Subitamente as luzes da sala apagam-se. Apenas se ouvem gritos de dor e rajadas de metralhadora que provocam clarões que iluminam pontualmente a sala. Este cenário não demora mais que meio minuto e o silêncio retorna àquela sala.

- O que se passou?
- O que é que tu achas Katerina?...
- Yuri não sejas pessimista… Petre, alguém responde?
- Não menina.
- Eu não acredito nisto!


Johanna ouvira barulho. Pareciam rajadas de metralhadora e vinham do andar de baixo. Encostara-se a uma parece e olhava alternadamente para ambas as portas da sala, na expectiva. Na sua mão tinha agora um sabre japonês que retirara do seu suporte na parede. O punhal tinha-o guardado ao cinto. Ao ver que nada acontecia foi-se dirigindo para a porta oposta à qual por onde tinha entrado.


- Katerina… espero por ti na tua sala de treino.
- Quem disse isto Petre?
- Veio do dispositivo de comunicação do Nikolai Russov mas não é a voz dele.
- Yuri?

Katerina olha para o lado e não vê Yuri o que a deixa furiosa. Volta a olhar para os monitores mas, de repente todos se desligam.

- Petre, podes ir, estás dispensado.
- … mas menina.
- Vai Petre, não mereces morrer também.
- Menina… conheço-a desde que nasceu, seria uma honra dar a vida por si!
- Eu sei Petre, noutras circunstâncias não te privaria desse privilégio mas neste cenário não me parece que a tua morte teria a honra que mereces. Vai.
- Se é essa a sua vontade… tenha cuidado.

Petre sai da sala de vigilância e deixa Katerina sozinha olhar para um conjunto de monitores pretos.


Johanna saíra da sala de treino no primeiro piso para outro corredor. À sua esquerda outra parede de vidro que parece dar para o mesmo jardim. As nuvens continuam a impedir que se aviste a lua cheia. À sua direita há duas portas e à frente, ao fundo do corredor, uma terceira. Prossegue cautelosa enquanto tenta decidir que porta abrir. Passa a primeira porta e continua. Olha ocasionalmente para a parede de vidro, como se esperasse rever aquele par de olhos que não sabe se realmente viu. Inconscientemente está mais perto da parede de vidro. Repentinamente ouve um som seco, olha e vêm um enorme tigre com as duas patas dianteiras encostadas na parede de vidro a seu lado. O susto fê-la deixar cair o sabre japonês. Quando se preparava para o recuperar sente-se envolvida por uns braços fortes e uma mão a tapar-lhe a boca, impedindo-a de gritar.


(continua)


FATifer

10 comentários:

  1. eheheheh Isto tá uma delicia :)

    Boa noite FAT

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    1. Boa noite noname,

      É bom saber que continuas a gostar :)

      (pergunto-me se já percebeste onde isto nos vai levar?)

      ;)

      Beijinho,
      FATifer

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  2. UI Ui.....está lindo está

    Boa FATifer

    abraço

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    1. Desire,

      Está? :) … ainda bem!


      Abraço,
      FATifer

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  3. Agora é que a situação se enrolou toda!
    Um tigre à solta e as duas manas em situação de perigo? Já para não me interrogar sobre quem foram os autores dos disparos de metralhadora, que silenciaram os intrusos.
    Deixa estar que eu cá me desembaraço!!
    Venha mais...;)

    Beijinhos.

    (Ainda bem que gostaste da minha lembrança, a dizer a bota com a perdigota!! ;) )

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    1. Janita,

      Deste lado até pensava que estava a simplificar…
      (notas, para mim: o Tigre não está “à solta” está no jardim onde “vive”. Não há “intrusos”. Os autores dos disparos foram os últimos homens de Katerina ao serem mortos pelo único “intruso” no complexo, isto se não contarmos com Johanna, que para todos os efeitos foi trazida por Yuri).

      O próximo está escrito mas não publico hoje (tenho de fazer justiça ao que o sr Gil me “acusa” de ser :P)

      Beijinhos,
      FATifer

      PS – porque não gostaria do teu texto? É uma excelente moda! ;)

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  4. Sádico, pá!

    És um sádico!
    Quase tanto, se não até mais que eu!

    :)

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    1. Meu amigo,

      Acho que estás a exagerar (embora já tivesse avisado/admitido que estava a sê-lo um pouco neste conto). Mas como não gosto de ter fama sem ter proveito, não publico o próximo hoje e pronto! :P

      :)

      Grande abraço,
      FATifer

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  5. Isto está lindo, está!
    Venha o próximo :)

    Bjs

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    1. BM,

      O próximo talvez só amanhã (porque me chamaram “sádico” LOL)

      :)

      Beijinhos,
      FATifer

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