domingo, 28 de fevereiro de 2016

XXII

Yuri olha para Johanna, depois para Katerina.

- É uma longa história… tudo começou nas planícies geladas da tundra siberiana.
- Não vais contar história da vida do meu pai, pois não?
(Katerina andara mais uns passos e podia agora ver directamente Johanna. Esta mantinha-se imóvel no cadeirão olhando para Yuri)
- Katerina, ensinei-te muito mas paciência, não te consegui ensinar…
- Versão curta, por favor! Como é que esta loura é filha do meu pai? … sim que da minha mãe duvido que seja.
(Johanna olha momentaneamente para Katerina e recebe de volta um olhar que mais parece uma chicotada)
- Como queiras… como sabes, o teu pai teve muitas mulheres. A tua mãe tolerava mas no dia que lhe chegou aos ouvidos que nascera outra filha dele… bem digamos que foi um milagre que a Svetlana, agora Johanna, tenho sobrevivido. A mãe dela não teve a mesma sorte.
(As feições de Johanna alteraram-se ligeiramente, há uma surpresa no seu olhar)
- Não acredito em “milagres”, conta lá esse pormenor melhor…
- Não assisti. O que sei foi o que o meu irmão me contou no seu leito de morte. Já que queres a “versão curta” vou-me escusar a detalhes sobre o que fizeram à mãe mas foi o meu irmão que salvou a menina.
- O teu irmão?
- Sim ele amava a mãe e tinha jurado, a ela e ao teu pai, proteger a menina até à morte. Coisa que fez anos mais tarde.
- Estou a ver… porque falas nele, não te vou ofender perguntando-te se não estás a inventar esta história toda só para salvar esta loirinha… mas vou perguntar o que estavas a pensar fazer antes da minha interrupção?
(Katerina olha para Johanna que lhe tenta devolver a “chicotada” com o olhar. Katerina fita Yuri aguardando resposta).
- Eu ia tentar acalmar esta jovem…
- Às vezes acho-te piada Yuri… criticas-me mas… explica-me lá… matas a criatura que vinha com ela e depois vais “acalmá-la”. Se fosse eu no lugar dela acho que eras tu que já estarias calmo, demasiado calmo até.
- Katerina…
- E tu ó loura, vais ficar aí caladinha?
(Johanna olha Katerina e depois Yuri, tentando avaliar até que ponto devia ou não responder)
- Bem, se não dizes nada vais ter de te mexer… Yuri devolve-lhe o punhal.
- O que vais fazer?
- Estou a dar o benefício da dúvida à tua história… mas se ela é mesmo filha do meu pai vai ter de mo provar. Não te preocupes eu não a vou magoar… muito.
- Katerina…
- Vá Yuri, deixa-te de coisas, devolve-lhe o punhal senão isto será ainda mais injusto para ela!

Yuri faz deslizar o punhal pelo chão e este fica aos pés de Johanna. Katerina deixa cair no chão o longo casaco comprido que envergava. Johanna permanece imóvel olhado para Katerina. Observa-a, toda vestida de preto. Cabelo preso num longo rabo de cavalo. Botas com saltos agulha, fato de couro colado ao corpo. Em vários pontos da indumentária tem o que parecem ser pequenos punhais ou facas de arremesso.

- Minha cara, é assim: ou te levantas e lutas ou morres. Prometo ser rápida.

Katerina retira um punhal que tinha à cintura e avança em direcção a Johanna. Nesse instante Johanna apanha o punhal, que tinha à sua frente, dá uma cambalhota e vira-se, ficando em pose de espera com o punhal na mão direita e a lâmina para fora. Yuri afastara-se. Katerina parara o seu movimento e fita Johanna.

- Afinal estás cá!… ok vamos dançar.

Katerina volta a avançar e desfere um golpe com o punhal. Johanna bloqueia o golpe e os três seguintes, demonstrando agilidade e reflexos. Katerina dá um passo atrás e fita de novo Johanna. Esta responde com um ligeiro sorriso, mantendo uma expressão concentrada.

- Para primeira impressão não está mal. Agora vamos ver do que realmente és capaz.

Katerina investe na direcção de Johanna. Os golpes sucedem-se. O som metálico das lâminas a encontrarem-se repete-se, ecoando pela sala. Yuri, encostado à parede, observa aquela estranha dança. Duas mulheres numa coreografia muito particular. Observa a elegância e precisão dos golpes de Katerina mas igualmente a destreza e agilidade da defesa de Johanna. Katerina aumenta o ritmo e o inevitável acontece, com um gesto mais largo consegue um golpear Johanna no braço esquerdo. Param por momentos. Katerina com um sorriso lambe da lâminha do seu punhal o sangue de Johanna. Esta levanta as sobrancelhas, acena com a cabeça para o braço direito de Katerina olhando em seguida para a lâmina do seu punhal, por um instante. Katerina perde o sorriso ao aperceber-se que também havia sido golpeada. A sua expressão demonstra misto de raiva e ultraje.

- Já chega meninas!
- Como já chega? Esta… loura… teve a ousadia de me atingir! Isto não fica assim!
- Katerina! Tu é que pediste a demonstração…
- Yuri… não te metas, isto só acaba quando eu quiser!


(continua)


FATifer

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Acabei de ter o privilégio de assistir…

Sérgio Godinho e Jorge Palma - Juntos

A um dos melhores concertos que assisti na vida! Simplesmente magnífico!
Duas horas, três “encores”… fiquei de alma cheia!



FATifer

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

XXI

Olham um para o outro e levantam-se. Chegam à porta, um de cada lado. Johanna empurra-a delicadamente, esta mexe. Martinho faz-lhe sinal que não está a ver ninguém. Johanna empurra mais a porta até que esta fica toda aberta. Olham e, embora não haja muita luz, não há ninguém à vista. Saem da sala para um corredor longo e pouco iluminado. Ao fundo uma luz, por cima de uma porta, indica a única saída. Percorrem o corredor cautelosamente. Não há nada que possam usar como arma à vista, o que os faz sentir de certo modo “despidos“. Chegam à porta. Esta dá para uma escada que sobe. Olham para cima e não se distingue o fim da escada, está demasiado escuro. Voltam a olhar um para o outro e começam a subir. Quando chegam ao topo da escada deparam-se com um pequeno patamar com uma porta fechada ao fundo. A única luz vem da ombreira da porta que está debruada a vermelho. Assim que entram no patamar um feixe de luz azul percorre todo o espaço e ouve-se um som vindo da porta. A luz que debrua a porta passa a verde. Aparentemente estará destrancada. Martinho empurra-a ligeiramente com o pé para confirmar e ela mexe. Com um gesto decidido, Johanna empurra a porta, deixando-a escancarada. Entram ambos numa sala grande. Johanna sente algo de familiar naquele espaço pouco iluminado.

- Esta sala parece-se com as salas da casa do Pedro. Com esta luz ao nível do chão.
- E isso é bom ou é mau?
- Pois não sei…

Olham em volta, a sala aparenta estar vazia mas o centro está demasiado escuro para ter a certeza.


- Johanna McGill…
- Quem falou?
- Calma Martinho…
- Eu conheço esta voz! É…

Martinho não termina a frase porque um punhal o atinge mesmo na traqueia, fazendo-o cair de joelhos agarrado à garganta. Cai depois para o seu lado esquerdo e fica deitado de costas. Johanna ajoelha-se a seu lado apenas a tempo de ver o seu último olhar, um misto de despedida e súplica de vingança. Johanna retira o punhal com a mão direita e levanta-se. Nesse instante, o centro da sala ilumina-se, mostrando um cadeirão de couro castanho-escuro. Nele sentado está um homem todo vestido de negro (fato, camisa, gravata, meias e sapatos). Johanna olha-o tentando resistir à tentação de lhe devolver o punhal da mesma forma que ele o “oferecera” a Martinho. Por instantes ficam imóveis fitando-se.

- Quem é, como me conhece e o que pretende de mim?
- Calma minha querida… tudo a seu tempo. Parece que a lição de cumprir horários não surtiu grande efeito. Continuas impaciente.
- … impaciente… eu mostro-lhe impaciente!!

Johanna inicia o movimento na direcção do homem que permanece imóvel. Quando Johanna está a dois passos do cadeirão ele levanta-se e num movimento fluido envolve o braço em que Johanna tem o punhal retirando-lho e, ao mesmo tempo, projectando-a para o cadeirão, onde Johanna fica sentada. Fitam-se novamente.


- Vityaz! Ela é minha!
- Katerina… não devias estar aqui…
- Achavas que conseguias que não soubesse o que andavas a fazer, Yuri?
- Esperava tê-lo conseguido mas aparentemente… Katerina… já te disse que não a podes matar!
- Porque não?
- Porque ela é tua irmã!
- O quê?! O que é que estás a inventar?
- Não estou a inventar nada… vocês são irmãs!


Katerina entrara na sala por uma porta do lado oposto ao que Johanna e Matinho o tinham feito. Caminhava na direcção do cadeirão. Johanna apenas a ouvia mas não arriscar mexer-se. Yuri ia olhando alternadamente para cada uma. Do punhal, na sua mão esquerda, ainda pingava sangue de Martinho. A sua expressão facial e corporal estava muito mais tensa do que anteriormente, quando apenas tinha Johanna com que se preocupar. Johanna permanece na expectativa, ouvindo os passos de Katerina enquanto esta se aproxima do cadeirão do lado oposto ao que Yuri se encontra. Olha para Yuri em frente à sua esquerda. Este devolve-lhe o olhar, acrescentando um gesto discreto, com a mão direita, como que tentando tranquilizá-la. Katerina pára três ou quatro passos atrás do cadeirão. Olha para Yuri.

-Explica-me lá essa história de sermos irmãs…


(continua)


FATifer

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Hoje fui ver… (no IMAX)

Deadpool

É um filme só para alguns. Para alguém da minha faixa etária e com os meus gostos é perfeito! Nunca me ri tanto num filme de acção! ADOREI! (mas entendo que haja quem não ache qualquer piada…)


FATifer

sábado, 20 de fevereiro de 2016

XX

Johanna acorda com o barulho de uma porta a fechar-se. Levanta-se lentamente do chão onde se encontra deitada e vê…

-Martinho?!
- Johanna…
- Como é que saíste de minha casa? Onde é que estamos?
- Respondendo à tua segunda pergunta, não sei bem mas suspeito que na cave do armazém. Em relação à primeira… é uma longa história.
- Ok contas-me mais tarde… agora vamos sair daqui.
- Calma Johanna… acho que isso vai ser mais difícil do que parece.
- Achas que não consigo abrir esta porta?
- Acho que pensas que sim… mas, para além disso, o que me preocupa é o que está do outro lado.
- Uma coisa de cada vez.

Johanna dá um pontapé na porta mas esta não abre como ela esperava. Ouvem bater do outro lado e uma voz a falar, dizendo algo impercetível. Johanna olha para Martinho que retribui o olhar com uma expressão como que a dizer: “eu não te disse?”.
Johanna olha em volta. A divisão em que se encontram é relativamente pequena, talvez com quatro por quatro metros. Não tem janelas, apenas uns respiradores junto ao tecto, na parede que tem a porta. A porta não tem fechadura nem maçaneta. Fixa o olha na parede por cima da porta e pergunta-se porque só agora se apercebeu do que será o detalhe mais importante da divisão, o relógio digital que ali se encontra. O relógio marca 22:23. Olha para Martinho.

- Também já coloquei essa hipótese Johanna. Teremos de esperar uma hora para a confirmar.
- Achas mesmo que a porta se abrirá daqui a uma hora e nove minutos, às 23:32?
- Parece-me que estaremos cá para ver…
- Gostava de não concordar mas…

Johanna senta-se no chão encostada à parede oposta à porta, mesmo em frente desta. Martinho mantém-se em pé, à sua esquerda.

- Ora já que temos tempo para gastar, que tal contares-me como saíste de minha casa?
- Queres mesmo saber?
- Quero!
- Ok… depois de perceber o que tinhas feito, deixando-me sem roupa, sem comunicações, sim que até o computador levaste, e fechado à chave… vesti um vestido teu e abri a fechadura com uma pinça e pronto!
(Johanna olha Martinho com cara de “poucos amigos”)
- …ai foi? E qual foi o vestido que vestiste? Só para te mandar a conta…
- Pronto não faças essa cara. Estava a brincar. A verdade é que depois de me ver na situação em que me deixaste… a propósito porquê que fizeste isso?
- Estás a fugir ao assunto… acho que é obvio porque o fiz, não queria que viesses comigo!
- Pois… e garanto-te que o teu plano teria resultado não fosse o facto de terem entrado três “armários” pela tua porta a dentro e me terem trazido para aqui. Havias de ter visto a cara deles quando me viram nú. Pensando bem um até…
- Mas vestiram-te, ao que parece…
- Sim deram-me estas roupas. Por isso são tão largas, caso estejas a estranhar…
- …então mas três homens entraram pelo meu apartamento e levaram-te sem mais nem menos?
- Sim… e nem sequer arrombaram a porta!
- Não sei porquê mas, por mais inverosímil que fosse, gostava mais da tua primeira versão.
- Inverosímil porquê, achas que não era capaz de vestir um vestido teu?
- Capaz de tentar eras mas duvido que conseguisses caber em algum… e também não te estou a ver a conseguires abrir a minha fechadura com uma pinça…
- Se queres que te diga nem cheguei a tentar…
- Ainda bem, em relação ao vestido, pelo menos assim não tenho perdas a lamentar.
- Infelizmente, isso não é verdade…
- Como assim?
- … não sei como te dizer isto…
- Desembucha Martinho!
- … a kitty…
- O que tem a kitty?
- Ela estava ao pé de mim quando eles entraram… e…
- O que é que eles fizeram à kitty?
- … é melhor não te contar…
- Como é que a mataram?
- Johanna ela tentou proteger-me…
- E…
- … um deles agarrou-a pelo pescoço e só ouvi um estalo…
- …

Johanna olha para Martinho e depois para o chão entre as pernas. Martinho senta-se a seu lado. Ficaram em silêncio. Por fim Martinho chegou-se a ela e abraçaram-se.

- Desculpa… não consegui evitar… foi tudo tão rápido…
- O que poderias fazer, não te deixei forma de te defenderes…
- O MacGyver teria arranjado maneira…
- Sem o canivete e a fita isoladora, não sei…

Sorriram ambos. Ouviram um barulho do outro lado da porta. Olharam para o relógio, marcava 23:31. Assim que passou a marcar 23:32 a porta abriu-se.


(continua)


FATifer

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

XIX

Martinho acorda com kitty a lamber-lhe uma pálpebra. Olha para o lado, Johanna não está na cama. Olha para o relógio do rádio despertador na mesa de cabeceira do lado oposto ao que está deitado. Passa do meio dia. Levanta-se devagar. Ao passar à frente do espelho é que toma consciência que está nú. Olha em volta, não vê qualquer das suas peças de roupa no quarto. Deviam estar aqui as boxers, as calças e as meias, pensa. Segue até à porta do quarto olha para a sala e nada, nem vislumbre da camisa ou do casaco que deixara no bengaleiro. Começa a perceber o que se passa e o sorriso que tinha, quando ainda achava tratar-se de uma brincadeira, desvanece-se. Já descrente continua a procurar pelo resto da casa. Nada. Não há Johanna, não há roupas, não há telemóvel. O telefone fixo também desaparecera e a porta está fechada à chave. Olha para kitty que o seguia nas deambulações pela casa e pergunta:

- E agora kitty, o que é que fazemos?


Johanna segue no carro a caminho do armazém. O plano é simples, embora não necessariamente fácil, escolher um local onde consiga observar o armazém sem ser vista. O facto de só ter ido lá de noite não lhe permite ter a noção do que irá constatar em breve:
O armazém está isolado no meio de um descampado. O que é bom, pois não permite que ninguém se aproxime sem ser avistado mas é mau, porque não há local para se esconder para fazer a vigilância que pretende.
Da estrada, a cerca de três quilómetros do armazém, já o consegue avistar. Tomando consciência da impossibilidade de levar por diante o que tinha idealizado, passa pelo armazém e segue enquanto pensa num plano alternativo.


Numa sala pouco iluminada vê-se um vulto sentado no chão. A pouca luz de duas velas trémulas a seu lado faz aparecer e desaparecer sombras ondulantes nas paredes brancas. Parece estar em meditação. Não se ouve um som. Num só movimento ergue-se e fica de pé. Dirige-se à parede à sua frente de onde retira de um suporte uma corrente com cerca de 3 metros de cumprimento e com duas lâminas uma em cada umas das extremidades. Retira do bolso uma esfera que atira ao ar. Com um movimento rápido e preciso com a corrente, secciona com uma das lâminas a esfera em duas metades. Do interior desta surge um conjunto de penas brancas que ficam a pairar. Rodopia colocando assim a corrente num movimento circular que leva as lâminas a irem seccionado todas as penas em dois, quanto atingidas. As metades das penas atingem o chão e a corrente termina o seu bailado. Enrola a corrente e devolve-a ao suporte na parede. De seguida pega numa lança que também se encontrava na parede, noutro suporte. Volta ao centro da sala e inicia um conjunto de movimentos que parecem coreografados. No entanto, esta seria uma dança perigosa para alguém alvo dos movimentos desta lança, que parece que desliza nas suas mãos. Passará a tarde toda em exercícios com todos os muitos utensílios que cobrem a parede daquela sala.


Johanna não teria andado mais de um quilómetro e faz inversão de marcha. Tinha decidido. Se não podia vigiar ia entrar de imediato. Tenta ignorar o instinto que lhe indica que não deve, que é demasiado arriscado. Pára o carro à frente do armazém e sai. Segue em direcção à porta lateral que usara naquela noite. Estranha o facto de não ver as fitas a selar o que era uma cena de um crime mas depois recorda que o caso era agora “CONFIDENCIAL”. A Porta está fechada. Suspira e contorna o edifício até às traseiras à procura de outra entrada. A porta das traseiras também está fechada. Acaba de contornar o edifício constatando que todas as todas as portas estão fechadas. Pondera as suas opções. Será melhor forçar uma das portas ou tentar as janelas? Volta ao carro. Retira da mala um pé de cabra e dirige-se a uma das janelas onde os tapumes parecem mais fragilizados. Sem grande esforço consegue abrir uma fresta por onde passar. Tem de retirar os restos dos vidros para não se cortar mas depois disso entra sem dificuldade. O estado de degradação dos taipais permite alguma visibilidade mas mesmo assim decidiu acender a lanterna. Olha o espaço não encontrando grandes diferenças em relação ao que recordava. Dirige-se para a escada de acesso ao primeiro piso. Logo que pisa o primeiro degrau uma nuvem de fumo surge do tecto. Sente-se desfalecer.


(continua)


FATifer

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

XVIII

Johanna levanta-se e dirige-se à escrevaninha que está num canto por trás do sofá. Abre uma pequena gaveta e retira uma lâmina com a qual abre o envelope cuidadosamente. Volta para a mesa e senta-se ao lado de Martinho. Olha para dentro do envelope. Este contém apenas um cartão com uma mensagem que lê em voz alta:

“Para saber o que aconteceu a Pedro Castro, esteja sozinha amanhã às 23:32 no armazém em que o encontrou.”

Depois de ela acabar de ler, Martinho e Johanna olham um para o outro por um instante.

- O que vamos fazer?
- Vamos? Não sei se é boa ideia tu ires Martinho.
- Estás a brincar? … Como assim não é boa ideia eu ir?
- Ouviste o que eu li? Está escrito “sozinha”…
- Não estás a considerar ir sozinha, pois não?
- Porque não? Amanhã é sábado, não tenho nada melhor para fazer… além do mais, não podemos mobilizar meios oficialmente. Se é “CONFIDENCIAL” também não terão pistas dadas por mim!
- Johanna, eu sei que me vais dizer que já és crescidinha mas isto não te parece uma cilada?
- Martinho… eu sei o que parece mas pode ser a única oportunidade que terei de tirar a limpo o que aconteceu ao Pedro.
- … e estás disposta a dar a tua vida por isso?
- Não exageres! … mas, no limite, até te diria que sim…
- Johanna, não posso permitir que o faças!
- A decisão não é tua Martinho.
- Johanna… não…
- Martinho, lembra-te do que prometemos um ao outro quando nos tornámos parceiros. A decisão do outro será sempre respeitada!
- Sim Johanna mas… é demasiado perigoso!
- Eu sei mas não vou deixar passar esta oportunidade!
- Não há mesmo nada que possa dizer que te faça mudar de ideias, pois não?
- Sabes que não Martinho mas também sabes que sei que apenas queres o meu bem…
- Por isso mesmo não estou a gostar nada da ideia de ires sozinha de novo aquele armazém…
(Johanna olha para Martinho com um olhar terno)
- Martinho, esqueçamos esta questão por momentos. O que é que vinhas cá fazer afinal?
- Eu? Vinha falar contigo. Com tudo o que se tem passado quase não temos conversado. Tens estado tão calada ao almoço. Pensei que pudesses querer desabafar, sei lá…
(Johanna sorri)
- Desabafar não mas podemos falar, se quiseres…
- Johanna… eu… não devia ter vindo aqui…
- Martinho… coragem… diz o que te vai na alma, não tenhas medo.
- … não devo…

Johanna levanta-se e segue até ao bar. Pega em dois copos de shot que coloca lado a lado. Seguidamente pega numa garrafa em forma de caveira e enche os dois copos. Retorna ao pé de Martinho com um copo em cada mão. Martinho levantara-se antes dela chegar ao pé dele.

- O que é isto? Porquê a forma da garrafa?
- Crystal Head Vodka, já ouviste falar?
- Não.
- Prova… ou melhor bebe que um shot não é para provar!

Johanna estendo o braço esquerdo entregando um dos copos a Martinho. Os copos tocam-se num brinde e cada um engole o conteúdo do copo que tem na mão de um só trago.

- E agora, já tens coragem de dizer que me desejas?
- Eu … Johanna…
- Achas que sou cega? Ou parva?
- … sou assim tão óbvio?
- Não… tu até te esforças para tentar disfarçar mas…
- Aparentemente não o bastante…
- Homem, o que é que estás à espera?
- Eu… tu…
- … e depois nós mulheres é que somos complicadas! Tenho de te obrigar? …ou será que é assim que gostas?

O sorriso de Johanna não durou muito pois Martinho interrompeu-o com um beijo. Abraçam-se. As bocas separam-se para recuperarem ambos o fôlego. As mãos de Martinho acham os seios de Johanna por baixo do camisolão que ela tem vestido, enquanto as dela desabotoam rapidamente a camisa de Martinho. Olham-se e retomam o beijo. A camisa de Martinho está no chão. Sem quebrar o beijo, Johanna inicia o movimento de ambos em direcção ao quarto. Quebram o beijo com Martinho de costas para a cama. Johanna empurra-o e ele cai na cama. Ela tira-lhe os sapatos e as meias. Depois retira o camisolão deixando à mostra os seus seios perfeitos. Martinho olha-a de forma libidinosa. Ela sobe para a cama ficando em cima dele impedindo o movimento que ele iniciara para retirar as calças. Ela desaperta-lhe o cinto, depois o botão e seguidamente o fecho das calças. Deita-se em cima dele e com os pés faz deslisar as calças ao longo das pernas dele deixando-o apenas de boxers. As últimas peças de roupa desaparecem e os corpos entregam-se um ao outro num movimento ritmado de cadência inicialmente lenta mas com aceleração à vista. Os desejos reprimidos libertam-se ao som de gemidos e suspiros de prazer.


(continua)

FATifer