Recordo-me do dia em que comprei esta caixa
(embora não do preço). Lembro-me da frase da vendedora: “O sr. tem bom olho,
nem tinha visto esta caixa com o motivo diferente das outras.”. Foi numa FIA e
(desculpem-me a imodéstia mas) estranhei mais a confissão dela que a constatação do
meu “olho clínico”. Era inevitável que me chamasse a atenção. Lembrei-me logo
do alegado provérbio chinês que tantas vezes cito.
E pronto, assim ficam a conhecer algo que “habita”
os meus móveis…
Há muito tempo que não fazia uma sessão
dupla e nem foi planeada, apenas aconteceu. Chegámos ao cinema para comprar
bilhetes e a sessão que queríamos (o filme que acabámos por ver depois) estava
quase esgotada, havendo apenas bilhetes na segunda fila (não obrigado!).
Esperámos um pouco que chegasse toda a gente para decidir o que fazer (e fomos
vendo as vistas. Como comentei com quem chegou mais tarde acho que fiquei com
uma overdose de “viewtifull people” mas adiante). Decidimos ir ver outro filme,
que acabou por se revelar melhor que o que inicialmente pretendíamos ver. Findo
este acabámos por (e apenas por pura teimosia) voltar à bilheteira e comprar
bilhete para que inicialmente pretendíamos ver, não deixando de constatar que o
primeiro era melhor!
Então o primeiro foi este (Sicario)
E o
segundo foi (007 Spectre)
Como disse, o Sicario é um melhor filme. Mesmo tendo em conta o que normalmente afirmo, que o filme de 007 é um filme de
007 e não deve ser avaliado por padrões que não seja “filme de 007”, já melhores mesmo com este actor.
Já não me lembro (e não me apetece ir
confirmar) se vos disse que adoro a sensação de uma moto acabada de vir da
revisão. Com mais 152000km, acreditem que já foram bastantes as que a minha
menina (moto) maior já teve de fazer. Foi esta semana a última, até agora, por
isso me lembro de vos falar nisso. Não sei explicar mas é uma sensação de
conforto saber que alguém verificou e “está tudo em ordem”. Como penso já ter
afirmado por estas crónicas, ter duas motos é bom. Fazer o que faço, que é
andar na mais pequena uma vez por semana (hoje foi dia disso), é também uma boa
medida pois permite-me manter a consciência de que é necessário: planear
ultrapassagens, estar atento ao que está a atrás de mim, etc…
Recordo um comentário que me fizeram um dia
e que ainda hoje me trás um sorriso aos lábios: “tu tens um ar muito limpinho
para quem anda de moto!”. Por várias vezes já afirmei que ando de moto porque
gosto (e porque posso). É um prazer diário do qual só abdicarei quando me for
mesmo impossível andar, por alguma razão, seja ela qual for. Até lá continuarei
andando em duas rodas…
… o dia de trabalho chegou ao fim. O céu
está limpo e o sol ainda brilha. O fato de chuva está no saco de depósito e o capacete
na cabeça. Calço as luvas enquanto o motor vai aquecendo. Monto e arranco. O
caminho para casa é feito descontraidamente a pensar no que aí vem. Chego a
casa, isto é aqui. Janto mais cedo, há que dar tempo para chegar a horas. Saio
de casa. Ligo ao meu irmão para confirmar que também já está a caminho. O
autocarro não passa. Vem aí um, finalmente. Não é o que queria mas também
serve. Vou ter de sair e andar até à paragem do outro mas não faz mal, tenho
tempo. Vem aí um, acho que dá, entro. Saio volto para trás. Chego ao balcão.
“boa noite, é uma caixa de seis para levar e um para comer agora mais um café”.
Ir a Belém ser levar uns pastéis é um sacrilégio maior que ir a Roma e não ver
o sumo pontífice. “Só com canela, por favor”. Hum… saio… a noite está agradável.
Dirijo-me ao CCB e fico à porta à espera do meu irmão. Ele chega e entramos
para ver e ouvir:
Concerto memorável!! Recordo, enquanto sorvo
o último golo de bourbon que me servi antes de começar a escrever estas linhas.
O pastel de Belém já tinha ido. Dificilmente poderia começar melhor o fim-de-semana
(uma vez que ninguém ganhou o euroguitas).
A quem possa interessar, informa-se que
estou a dar uma última oportunidade ao género feminino. Assim sendo, elementos
desse género que se julguem capazes de me conquistar e me queiram aturar,
força! Não me responsabilizo por quaisquer consequências que dos vossos
esforços advenham, nem prometo devolução do investimento em caso de não
satisfação a qualquer nível. Findo o período que ache suficiente para dar por
terminada esta última tentativa, terei de me dirigir ao Tibete e tornar-me monge
budista ou encontrar uma gruta qualquer e tornar-me ermita. Pensando melhor, posso apenas continuar a viver a minha vida como até aqui…
Nota: para quem esteja com os olhos muito
abertos depois de ler o texto acima, ver por favor a etiqueta… (sim, eu sei que não tenho grande piada mas por isso é que está classificado como
“tentativa”!)