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segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

VI

Johanna está sentada à secretária. Embora pareça olhar para o monitor, o seu olhar vago e distante indicia que não está ali e agora.


- Johanna… acabei de receber o relatório preliminar da perícia forense… nada de diferente a assinalar…
- …ele vai fazer um erro mais cedo ou mais tarde… ninguém é perfeito…
- …ele… assumes… nem isso sabemos!
- Pedro, aquelas mãos, aquela voz… não podia ser uma mulher!
- Assumes que quem te atacou é o autor destes crimes. Percebo mas não temos provas que o sustentem.
- Sim Pedro, não temos provas mas eu sinto-o. Chama-se um palpite e os meus palpites tendem a estar correctos, com tão bem sabes.
- … algum palpite quanto ao paradeiro do homem?

Johanna atira uma borracha na direcção de Pedro que sorri enquanto a apanha com a mão que tinha livre, continuando a ler as folhas que tinha na outra.

- Ora recapitulemos, temos três vítimas do sexo masculino de idades compreendidas entre os vinte e os cinquenta e sete anos. Dois caucasianos e um negro. Não encontrámos nenhuma ligação clara entre eles à excepção de serem propensos a actos de violência.
- Certo…


- Johanna chegou isso para ti.
- Obrigada Martinho.

Johanna olha para um embrulho que Martinho colocara na secretária à sua frente. É uma caixa pequena, cinzenta com o lacinho dourado. Abre a caixa. Afasta o papel de celofane e descobre um anel. Tem de se conter para não o agarrar de imediato. Abra a primeira gaveta da secretária retira um par de luvas que calça. Depois pega finalmente no anel e inspeciona-o. Tem um aspecto tosco e batido. Umas nervuras de lado juntam-se no disco central. Olha para as marcas nesse disco, distingue um padrão geométrico que identifica de imediato. Mesmo assim pressiona o anel contra o bloco de folhas que tinha na secretária. Com um lápis sombreia a marca deixada pelo anel. Pega no bloco com as duas mãos e fica a observar. Na sua face um ar de confirmação.
Martinho olha-a só desviando a sua atenção para o bloco quanto ela o pousa junto ao anel na secretária.

- O embrulho vinha numa caixa de transportadora endereçado a ti e sem remetente. Questionámos a transportadora que indicou que o homem que o deixou pagou extra ao funcionário para que o envio fosse feito assim. A descrição do homem em causa não ajuda muito: aparentava ser um sem abrigo com cerca um metro e oitenta, moreno, barba, óculos escuros, boné, calças de ganga e blusão verde tropa. A câmara de vídeo da agência estava avariada na altura da entrega pelo que não temos imagens. Estamos a tentar verificar se há alguma câmara de trânsito ou de um multibanco na área que possa ter captado algo.
- Muito bem Martinho, excelente trabalho. Entrega a caixa e o anel à equipa forense para análise. Embora suspeite que não vão encontrar nada de útil.
- Ok.

Johanna coloca o anel dentro da caixa, esta dentro de um saco de prova e entrega-o a Martinho.


Algures na cidade uma sombra entra num prédio com um ar abandonado. Depois de percorrer um corredor na penumbra, chega a uma parede que se abre misteriosamente à sua frente e entra numa sala ampla mas também pouco iluminada. Descalça as botas, retira o longo casaco preto de pele que pendura num cabide e dirige-se a um suporte onde deposita, com uma vénia, um sabre japonês. Entra noutra divisão de onde sai momentos depois, já sem as calças de couro e a camisa pretas. Enverga um kimono yukata azul escuro, com um padrão que quase não se distingue. Dirige-se à cozinha e pega num frasco. Retira três colheres cheias, uma após a outra, de grãos de café para um moinho manual. Procede à moagem do café por recurso a movimentos de cadência constante. Abra a gaveta e retira o pó com uma colher de madeira para uma espécie de funil onde colocara um filtro. A chaleira apita, pega nela vertendo de seguida o conteúdo de água no filtro. Um líquido escuro começa a cair numa pequena taça colocada por baixo do funil com o filtro. Todos os movimentos foram realizados de uma forma elegante como se de um ritual se tratasse…
Com a taça nas mãos senta-se no chão em frente a uma mesa rasa, tem a mão esquerda debaixo da taça e a outra a envolvê-la do lado direito, mantendo esta forma de a agarrar leva-a à boca e bebe um gole de café fechando os olhos.


(continua)


FATifer

domingo, 10 de janeiro de 2016

V

Johanna está sentada no sofá com um copo de Whiskey nas mãos. A kitty deitada a seu lado olha-a com um ar sonolento. Bebe um golo e suspira. Só o corpo está ali, a mente está anos atrás…

- Johanna a minha mãe morreu, nada me prende aqui…
- … então e eu?
- Tu?...
- Sim eu… não entro nessa equação?
- … não…
- Pedro!...
- … adeus Johanna.

Johanna olha-o enquanto Pedro se afasta. O carro arranca e apenas o som da chuva que martiriza o pano do chapéu se ouve. No fundo sabia que este dia chegaria, esta vida era demasiado “normal” para ele. Não devia ter-se deixado encantar por aquele homem. Desde de que o vira que os seus instintos a tinham avisado disso e mesmo assim não resistira. Havia algo nele que o tornava irresistível embora não soubesse dizer o quê, se lhe perguntassem.

O telefone toca. Não faz menção de atender. O telefone deixa de tocar. Não se interessa em ver quem era. Continua absorvida nas memórias. Bebe mais um golo.

- Johanna, o que se passa?
- Pedro…
- Sim, o que se passa?
- …nada mas…
-  Johanna, deite-te este número em caso de necessidade. Não me faças arrepender-me de o ter feito.
- Desculpa… queria ouvir a tua voz…
- Johanna, pensei que tinha deixado bem claro que entre nós apenas há a dívida de gratidão por teres salvo a minha mãe. Honrarei a palavra dada, por isso te dei este número… não foi para ouvires a minha voz.
- …
- … não chores… mas tens de perceber que na minha vida não há lugar para romance. Cuida-te!


Bebe o resto do whiskey de um trago. O copo escorrega por entre as suas mãos e cai no tapete enquanto as lágrimas escorrem por suas faces.


Move-se como uma sombra na noite, parece que desliza… numa esquina um homem bate numa mulher. Ela encolhe-se e protege a cara à espera do próximo golpe que parece tardar mais do que esperava. A medo baixa um braço e com surpresa constata que o agressor já não está à frente dela. Olha em volta tentando perceber como pode ter desaparecido e para onde…
Num beco escuro não muito longe o homem que há momentos tinha os olhos raiados de sangue enquanto batia selvaticamente na mulher, que ainda não percebeu como ele desapareceu, agora tem o olhar parado. Observa um vulto negro que tem à frente sem perceber onde está e como foi ali parar. Numa sequência de movimentos quase imperceptível para este homem, o vulto de preto envia quatro kunai (espécie de punhais ninja) que lhe acertam, dois nos ombros e dois na cintura, fixando-o firmemente à porta de madeira maciça atrás de si. A dor que sente é grande mas o medo é maior pelo que não chega a gritar. O vulto de negro aplica, num movimento rápido, um golpe na traqueia do homem. Só se apercebe que deixou de conseguir falar quando, instantes depois, se vê impossibilitado de gritar, como pretendia, em resposta ao gesto que o vulto à sua frente acabara de fazer – abanou o indicador da mão direita para a direita e para a esquerda e terminou com o polegar para baixo.
A última coisa que sente é o golpe na jugular feito pelo wakizashi (sabre japonês de pequenas dimensões) empunhado por aquele vulto, que o fez acabar de se esvair em sangue…
O vulto de preto recolhe os kunai, lança um spray sobre o corpo e desaparece nas sombras.


Johanna chega à secretária e tem um bilhete de Martinho:

“O Dr. Fernandes chamou-nos, quando chegares vai lá ter ;)“

Volta vestir o casaco que despira e dirige-se para a porta.

- Bom dia Dr. Fernandes. Martinho.
- Bom dia Miss McGill.
- Johanna.
- E então o que nos pode dizer Dr. Fernandes?
- … bem, como dizia aqui ao detective Fonseca. Para começar posso dizer que este desgraçado não parece ter ficado com um único osso inteiro da sova que terá levado.
- Encontrou marcas que indiquem se foi empregue alguma arma?
- Não é fácil afirmar. A maioria das marcas aparentam ter sido provocadas com as mãos. Uma ou outra marca poderia ter sido causada por um bastão ou uma soqueira. A marca mais curiosa que encontrei é um padrão geométrico na face esquerda. Tenho a sensação de já o ter visto antes mas a minha memória já não é o que era.
- É este? (Johanna retirara um foto do bolso e mostrava-a ao Dr. Fernandes)
- Esse mesmo!
- E que mais? As mãos e os pés, como foram cortados?
- Mãos e pés foram amputados post-mortem recorrendo a uma lâmina afiada. Não tendo ambos os lados é difícil especificar qual o objecto empregue mas diria que nos quatro casos a amputação foi feita num só golpe.
- Causa da morte?
- O golpe no nariz que o afundou crânio dentro.
- Conseguiu identifica-lo?
- Infelizmente ainda não. Sem as mais e os dentes que foram todos removidos resta-nos esperar pelo teste de ADN, para ver se por acaso está no sitema.
- Mais alguma coisa?
- Apenas mencionar que a marca com o padrão geométrico, que parecia já estar à espera que encontrasse, terá sido feita post-mortem como as aputações. Os resultados das análises toxicológicas estarão no meu relatório. O teste de ADN demorará mais uma semana.
- Ok, obrigada Dr. Fernandes.
- Obrigado Dr. Fernandes.
- Detectives…



(continua)


FATifer

sábado, 9 de janeiro de 2016

IV

Depois feitas todas as fotos o corpo é finalmente retirado das correntes e inspecionado. Não tem identificação e, como aparentava, está bastante desfigurado.

- Pode levá-lo Vieira e diga ao Dr. Fernandes que esta autópsia deve ser a prioridade!
- Sim menina.
- … continua a chamar-te menina.
- Pedro, ele conhece-me desde que nasci.
- O que te parece isto tudo?
- Não sei… ou melhor, parece-me um quadro e o pintor é outro!
- Estás a pensar o mesmo que eu?
- Sim… pode ser ele… a vítima!
- Será?... já sei, vamos esperar pelo que diz o Dr. Fernandes…
- … sim… mas lembra-te que nunca teremos a certeza…
- … nunca digas nunca.
Martinho escutava a conversa sem se querer intrometer. Claramente havia muito sobre o “amigo” de Johanna que não constava do ficheiro que tinha lido.

Os três saíram pela porta principal do armazém. Era quase hora de almoço. Johanna convidara Pedro para almoçar com eles mas este recusara. Encaminhava-se com Martinho para o automóvel enquanto Pedro seguia na direcção oposta, encaminhando-se para o seu. Entes de entrar no carro Pedro olhou na direção deles e Johanna acenou-lhe adeus.

- Onde queres ir almoçar?
- Não sei Martinho, escolhe tu.
- …bem sendo assim, vamos à tasca do Manel comer umas sandes de torresmos…
- Pode ser…
- Johanna?! Tu nem ouviste o que eu disse pois não?
- …hum? O quê?
- Bem me parecia. Estás bem?
- …
- Eu tentei fazer de conta mas é mais forte do que eu e tu sabes!… queres contar-me o que ainda não me contaste sobre o teu “amigo”?
- Martinho…
- … ok esquece, vamos almoçar.


Pedro segue de carro por uma rua estreita que parece acabar num beco. O carro imobilizado é percorrido por um feixe verde. O que parecia uma parede abre-se e ele entra.


Johanna e Martinho entram no restaurante do costume. Sentam-se na mesa de costume. O empregado do costume serve-lhes o costume.

- Não sabia que tinhas mantido contacto como Pedro.
- Não tinhas de saber! E não mantive…
- Apenas assumi porque ele disse que tinha ligado mas já vi que não queres falar do assunto…
- Ele deu-me um número para lhe ligar em caso de necessidade, só isso… e sim não quero falar do assunto.
- O tempo está…

Johanna fuzila Martinho com o olhar, este sorri mas não insiste. Acabam a refeição em silêncio, eles, que no restaurante é quase impossível ouvir-se a pessoa do lado sem que esta grite.
De volta ao escritório Johanna senta-se ao computador a ver a fotos da cena no crime. Abre uma pasta com outras imagens. Coloca lado a lado uma imagem de um rosto quase desfigurado e a imagem da cena do crime “naquele ângulo”. Inclina-se para a frente e imediatamente se recosta na cadeira libertando um suspiro que revela um misto de desalento e resignação.

- Já confirmaste que é o mesmo padrão geométrico.
- Sim.
- E agora?
- Agora esperamos pelo resto, em particular a autópsia.
- Ok…


Pedro está numa sala escura. Apenas um fio de luz contorna o tecto. Na parede em frente dele estão projectadas um conjunto de imagens para as quais olha em silêncio. Levanta-se da cadeira e dirige-se à parede à sua esquerda. Coloca a palma de mão num rectângulo quase imperceptível. Depois de uns segundo ouve-se um som de fecho a abrir e uma porta abre-se lentamente à sua frente. Entra numa divisão com as paredes coberta de armas. Penduradas nas paredes estão desde lança rockets, espingardas de assalto, metralhadoras e pistolas, do lado esquerdo, a todo o tipo de espadas, bastões e facas, do lado direito. Em frente um conjunto de vestimentas para todo o tipo de operação de combate. Dirige-se ao centro da parede do fundo da sala e fica a olhar fixamente para o fato colocado numa vitrine em local de destaque.



(continua)

FATifer

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

III

- Bom dia Johanna.
- Bom dia Martinho.
- Como foi o resto do fim-de-semana?
- Passou-se…
- Ele não voltou a telefonar?
- Não.
- Fiz o pedido para voltarem a monitorar o teu telefone mesmo não acreditando que o façam. Não temos motivos que o justifiquem.
- Pois.

Johanna sentara-se à secretária com a chávena de café entre as mãos a tentar aquecê-las. Martinho fez uma pausa como que a dar-lhe o tempo que o olhar dela parecia pedir e depois continuou:

- Temos um caso mas podes acabar o café.
- Temos um caso e não me dizes nada? Vamos!

Johanna engole o resto do café de um golo e levanta-se. Martinho segue-a.

Em pouco tempo estão no local do crime, um armazém abandonado perto do porto. No centro da sala ampla está um poça de sangue acima da qual está o corpo de um homem suspenso, como que emaranhado, na cortinha de correntes enferrujadas que vêm do tecto.

- Bom dia Semedo.
- Bom dia detectives.
- A que horas foi encontrado?
- Seis da manhã, o guarda nocturno ouviu um barulho e entrou neste espaço que não faz parte da ronda pois deveria estar fechado.
- E não estava?
- Segundo o guarda, a porta principal, a mesma por onde entraram, estava. Solicitei a verificação de todas as outras.
- Muito bem. Conte-me o que sabemos mais.
- Pouco mais do que está à vista. Estamos à espera que a equipa forense acabe de documentar a sua posição para o retirar e verificar se tem identificação. Como disse este espaço devia estar fechado pois o armazém está para venda.
- Encontraram os pés e as mãos?
- … ainda não.
- Obrigado …

- Johanna? O que foi?

Johanna afastara-se para o canto da sala oposto à porta por onde haviam entrado e olhava estática a cena do crime.

- Johanna?
- Olha Martinho…

Martinho virou-se e olhou. Viu o que ela estava a ver e ficou calado como ela estava…

- Detectives… encontraram alguma coisa? Porquê essas caras? Virgem Santíssima!…

O agente Semedo tinha-se virado olhando na mesma direcção que Johanna e Martinho. O que parecia um emaranhado de correntes, naquele ângulo e só naquele ângulo, era uma sequência ordenada de traços que formava um padrão geométrico com o corpo no centro.

Um outro agente chega ao pé do agente Semedo e como que com receio de interromper o silêncio segreda-lhe algo. Ao virar-se olhando na mesma direcção que os restantes não consegue conter um “o que raio?” de espanto.

- Detectives… posso confirmar que todas as entradas à excepção da principal, incluindo janelas, estão fechadas. E não foram encontrados as mãos e os pés da vítima dentro deste edifício.
- Obrigado agente Semedo. Peço aos peritos forenses para fotografarem a cena do crime deste ângulo antes de retirarem o corpo, por favor.
- Sim detective.

Os dois agentes afastam-se e Martinho fita Johanna que ainda não conseguira deixar de olhar na direcção do corpo daquele ângulo.

- Johanna… não sei que dizer… uma coisa é não acreditar em coincidências outra é isto!...

Johanna não responde mas desvia finalmente o olhar na direcção da porta. Observa um homem alto, moreno, bem constituído, de fato cinzento e óculos escuros que se dirige para eles.

- Pedro…
- Johanna. Detective Martinho.
- Pedro? O teu antigo parceiro?
- Sim, detective Martinho, sou o antigo parceiro da Johanna.
- Mas não tinha desaparecido nas sombras após a morte de sua mãe?
- Ninguém desaparece… com sorte conseguimos tornar-nos mais difíceis de encontrar…

Pedro completou a frase com um sorriso enigmático, ao virar-se a sua expressão muda e o corpo contrai-se, como que tentando dissimular o espanto.

- … sim Pedro, é o mesmo padrão… não me digas que não estavas à espera de algo assim?
- Para te ser franco, estava à espera de algo mas não assim…
- A vida é cheia de surpresas… ou talvez não.
- Johanna…
- Desculpa, eu sei que não é a altura… mas a que devemos a honra?
- Fiquei preocupado contigo depois de teres ligado.
- Não devias… O que achas disto? … Já sei, vamos esperar pelo que diz o médico legista…

Pedro sorri e não responde. Os três encaminha-se de volta ao centro da sala. Querem olhar para o corpo mais de perto assim que este for retirado das correntes.

(continua)


FATifer

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

II

A noite estava escura e chuvosa, Pedro sobe a gola da gabardine para tentar proteger-se do vento enquanto inclina o chapéu para que ela não se molhe muito. Debruçada sobre o corpo inanimado de um homem brutalmente espancado tenta ver uma marca na sua face.

- há um padrão geométrico, talvez deixado por um anel?
- Sim é provável Johanna mas deixa que o médico legista depois analisa melhor e já tiraram fotos…
- Sim vamos, está desagradável, não está?
- Está? Diria que está uma bela noite…

Sorriu correspondendo ao tom irónico de Pedro, sempre apreciara essa sua qualidade de concordar discordando.
Viram-se e encaminham-se para o carro.

- Para deixar um homem naquele estado é preciso ser uma besta.
- … Depende do que entendes como “besta” Johanna… não sei se o agressor será sequer maior que a vítima… diria é que sabe muito bem como e onde bater e até que terá prazer em infligir dor.
- Porque dizes isso?
- … há partes do corpo que só atinges por prazer ou necessidade e não me parece que tivesse necessidade.

Pedro abre a porta para Johanna entrar, dá a volta ao carro fecha o chapéu de chuva e entra no lugar do condutor.

- Levo-te a casa?
- Se não te importas…

O carro arranca. O caminho é feito em silêncio, não há muito a comentar, é a terceira vítima mortal por espancamento no espaço de uma semana. Parece haver alguém muito zangado a vaguear pela cidade.

Pedro deixa-a à porta de casa e segue, dá dois passos de corrida para fugir à chuva e assim que acaba de abrir a porta do prédio, ouve uma respiração pesada atrás de si. Sem que pudesse reagir sente duas mãos fortes agarrá-la. Num instante uma está a tapar-lhe a boca agarra-a impedindo-a de se mexer. Ouve uma voz grave ao seu ouvido:

- … vocês não me apanharão mas eu posso apanhar-te quando quiser….

… E é empurrada para dentro do prédio com uma violência tal que não consegue evitar a queda. Levanta-se de imediato e abre a porta mas nada vê além de chuva e um carro que aparece ao início da rua. Volta a entrar e fecha a porta atrás de si encostando-se a ela enquanto tenta recuperar o fôlego. Ainda ofegante liga a Pedro e ouve o toque do outro lado da porta. Com a precipitação nem reconhecera o carro que entrara na rua, abre a porta.

- Estás aqui?
- Sim… voltei atrás pareceu-me ver algo… estás a tremer!
- …
- O que se passou? Conta-me!

Após um breve relato Johanna aceita o abraço de Pedro que a tenta confortar.

- Queres que suba?
- Não… estou bem… vai para casa que a tua mãe deve estar preocupada.
- … tens a certeza?
- Sim vai…

Pedro mesmo contrariado obedece e deixa-a no átrio de entrada do prédio já menos ofegante e aparentemente mais calma. Respira fundo e dirige-se para o elevador. Carrega no botão de chamada e fica a olhar para o mostrador, vendo os números decrescerem até ao zero. Abre a porta e entra. Carrega no botão do seu andar fecha os olhos e recorda tentando perceber o que acabou de se passar. Aquela voz ainda ecoa na sua mente. A forma pausada, confiante, desafiadora até, como falara aquele homem de mãos poderosas deixara-a mais perturbada do que quereria admitir. Entra em casa. Acende a luz e olha-se ao espelho que tem ao lado da porta. Procura-se como se tivesse necessidade de se encontrar.


Perdida nas memória acabara por adormecer no sofá onde acorda horas depois.


(continua)


FATifer

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

I

Um feixe de luz entra pela fresta do estore e projecta-se na parede por cima da sua cabeça. Johana dorme num sono que não parece tranquilo. Num canto escuro uns olhos brilham… de um salto está em cima dela.

- Kitty! Não tens mesmo respeito pela tua dona… que horas são?... já sei, horas de tu comeres não é gata?!

Johanna levanta-se e vai até a cozinha. Abre uma lata de comida de gato que deposita na tigela de kitty que instantaneamente aparece por entre seus pés, “atacando“ o alimento acabado de disponibilizar. Johanna segue para a cabine de duche. Sentindo a água quente a bater-lhe nas costas, começa a acordar enquanto tenta recordar o sonho que estava a ter.

Vira-se e deixa a água cair directamente nos seus seios redondos como laranjas. Mecanicamente procede à auto-apalpação, nada de anormal, está tão absorvida pela sensação com que acordou e por não se conseguir lembrar do sonho que estava a ter que nem produz o suspiro de alívio habitual que já se tornara ritual.
Fecha a água e embrulha-se na toalha. Não tem planos para aquele sábado. Vai até à cozinha, abre o frigorífico e retira um iogurte líquido, um queijo e um pouco de chocolate preto. Abre o croissant que retirara do saco em cima da mesa e recheia-o com queijo. Abre o iogurte e sorve um golo, enquanto pensa se tem alguma coisa que precise comprar. Saboreia o resto do pequeno-almoço passeando pela casa. Kitty também já acabou de comer e volta para o canto da sala onde gosta de observar a dona que, depois de acabar de comer, entra no quarto. Por vezes parece que são os gatos os donos e gostam de nos controlar. Kitty levanta-se e entra no quarto onde Johanna se veste e apanha o cabelo num belo rabo-de-cavalo louro. Já sabe que a dona vai sair e dirige-se para a porta para levar a festinha na cabeça habitual.

- Vou só ali abaixo às compras kitty, já volto.

Passa a mão pelo topo da cabeça da gata enquanto o diz, abra a porta e sai.


Johanna chega à mercearia do sr. António que a cumprimenta com aceno de cabeça e o sorriso habitual.

- Bom dia menina então que vai ser hoje?
- Bom dia sr. António, queria umas laranjas e umas limas.
- E que mais?
- …um pacote daquelas bolachas do costume, um molho de espinafres e um quilo de cebolas. Ah… e aqueles espargos se já tiverem vindo.
- Sim menina já estão ali guardados para si, e que mais?
- … só três latas da comida para a Kitty.
- …muito bem, é tudo?
- Sim, sr António, de momento é.
- Aqui tem menina, eu ponho na conta. Até logo.
- Obrigada, até logo.

Johanna pega nos sacos que o sr. António lhe entrega e retribui o sorriso que aquele homem faz sempre que a vê, o que só faz aumentar o sorriso dele.
De volta a casa arruma as compras enquanto kitty se passeia a seus pés.
O telefone toca…

- Estou?... estou sim?... está lá?

Do outro lado apenas se ouve um ligeiro respirar. Desliga o telefone com violência.

-… só me faltava esta!

Pega no telemóvel…

- Estou? Martinho? Desculpa incomodar-te mas acho que ele voltou…
- Ele quem o teu amigo?
- Não briques… sabes se o meu telefone ainda está monitorado?
- …já não deve estar mas sabes como essas ordens demoram a entrar em efeito… eu ligo para o Vicente para confirmar. Mas achas mesmo que era ele?
- Conheço aquele respirar…
- OK… eu já te digo qualquer coisa, até já.
- Até já, obrigado e desculpa.
- Johana somos parceiros…

Johanna desliga o telemóvel e olha a gaveta onde tem guardado aquele que prometeu a si própria ter sido o último maço de cigarros que compraria na vida. Respira fundo, abana a cabeça em negação e olha para kitty que está parada a seus pés fitando-a como se que à espera de algo.

- Tens razão kitty este palhaço não merece um cigarro!

Volta a olhar para o telemóvel… vencendo a hesitação procura um número na agenda. Estabelece a ligação…

- Sim…
- Pedro? Sou eu, desculpa ligar-te assim mas acho que ele voltou…
- Não, não tenho a certeza… mas aquele respirar não me deixou muitas dúvidas…
- Eu sei que é pedir-te demais talvez mas…
- Sim… pronto… desculpa… não, estou bem…
- Beijos…


… volta a fitar o telemóvel expectante… o telemóvel, como que pressionado, toca.

- Martinho… e então?
- Infelizmente já não está monitorado…
- Ok… deixa… bom fim de semana.
- Johana qualquer coisa liga!
- … bom fim de semana Martinho.

Senta-se no sofá a olhar para o vazio. Por mais que soubesse que algo que não está resolvido mais cedo ou mais tarde volta, não era a melhor altura pensa, como se houvesse boas alturas para aturar psicopatas assassinos. O telefone volta a tocar…

Olha para o aparelho e ao quinto toque atende.

- Estou
- Não minha senhora isto é uma casa particular, enganou-se no número…
- Não faz mal.

Desliga o telefone e recosta-se no sofá. Uma música invade a sala, olha para a aparelhagem, a kitty tinha-a ligado inadvertidamente. A voz de Enya em “caribbean blue” parece ajudar a que relaxe.

Não quer pensar nele. Não quer recordar mas há coisas que parecem sempre escapar à nossa vontade e tudo lhe volta à memória como se de um filme se tratasse:

(continua)

FATifer

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

...

Um raio de luar ilumina o gume da lâmina manchada de vermelho que segura paralela à perna. Um pingo de sangue cai da ponta para a poça vermelha no chão. Olha o corpo esquartejado à sua frente, a expressão de horror misturado com dor extrema que retém a sua última vítima parece não ter qualquer efeito nele…
Num movimento rápido sacode do sabre japonês o resto de sangue que ficara na lâmina e embainha-o. Volta-se e desaparece nas sombras.



FATifer

sábado, 25 de abril de 2015

O Estranho Caso da Chave Saltitona – Cap. XVIII*


Prólogo - Xilre
Capítulo I - Calma com o andor
Capítulo II - Dúvidas Cor de Rosa
Capítulo III - A Mais Picante
Capítulo IV - Mirone
Capítulo V - Pasme-se quem puder
Capítulo VI - A Uva Passa
Capítulo VII - Kiss and Make Up
Capítulo VIII - Amor Autista
Capítulo IX - Talqualmenteoutro
Capítulo X - Linda Porca
Capítulo XI - Sister V
Capítulo XII - A elasticidade do tempo
Capítulo XIII – A vez da Maria
Capítulo XIV - Teias de Folhas de Papel
Capítulo XV - Imprópria para consumo
Capitulo XVI – O que me der na telha
Capitulo XVII – Beijo Molhado



… à media que recupera todos os sentidos sente os braços presos atrás das costas e os tornozelos também presos nas pernas da frente da cadeira onde está sentado. Olha em volta., vê quatro paredes que emanam uma escuridão apenas quebrada pela a pouca luz trémula de uma lâmpada pendurada acima de si. Estará de costas para a porta que dificilmente consegue distinguir até porque no movimento o pescoço dorido dá sinal que a posição é desconfortável. Tenta mexer-se, levantar-se mas apercebe-se que a cadeira está fixa ao chão e puxar só faz os atilhos plásticos nos pulsos e tornozelos ficarem mais justos.

- … onde é que tu estava no 25 Abril?

Olha em volta, de onde vem aquela voz?

- … não existias, não é?... a pergunta que te deves fazer é se queres voltar para esse estado?

Pestaneja e volta a percorrer o espaço que o rodeia à procura da proveniência da voz que parece vir de todo o lado. Sente o coração acelerar cada vez mais por mais que se tente manter calmo.

Ouve a porta atrás de si abrir e fechar com um ranger metálico. Ouve passos de saltos.

- E então vais colaborar?

A voz é a mesma mas perdeu um certo timbre metálico ganhando uma sensualidade que contrasta com a ameaça latente da pergunta.

- Vais dizer-me como usar a chave, não vais João?

A pergunta provoca um turbilhão de memórias. Recorda como tinha sido atingido pelo poste de um cartaz à porta da dependência bancária em Xabregas o que fez com que fosse levado para dentro e permitisse cumprir os seus intentos. Relembra a cara de espanto da estagiária que o atendeu, por pensar tratar-se de uma brincadeira dos colegas, as instruções de acesso que tinha para o deixar entrar na sala onde estavam os cofres. Verdade seja dita que ele também estranhou o que leu no cartão que acompanhava a chave recuperados do soalho da sala de Jorge de Burgos:

“Será confirmado que não tens a tatuagem na nádega esquerda e depois terás de dizer a senha: “Venho em nome de Balião, o antigo”.”

Vê de novo a cara corada da moça ao ler o papel e ao vê-lo desapertar o cinto baixar as calças e mostrar o rabiosque. Dita senha ela indicou o cofre colocou a chave do banco rodou-a e saiu deixando-o sozinha na sala.

- João! Quais são as instruções para usar a chave?
- … instruções?...
- Não te faças de parvo vi-te queimar o papel… não te preocupes não vamos fazer mal à Maria só queremos as instruções.
- A Maria? …
- Tu não sabes no que estás metido pois não?



* Post partilhado – batata quente passada por Beijo Molhado

… à espera que continue… e continuou:


Capítulo XIX – A miúda com pêlo na venta
Capítulo XX – Now I Have a Mustache

FATifer

sábado, 7 de setembro de 2013

História para Ulisses…

Como sabem não sou de responder a desafios mas como toda a regra tem excepção aqui fica uma história que escrevi em reposta a este desafio do Ulisses.


Lentamente abre os olhos e vê no tecto espelhado uma imagem que não lhe parece real. Demora uma fracção de segundo a convencer-se que as cinco mulheres à sua volta não são produto da sua imaginação, sente os braços de três em cima do seu corpo além de as ver. “Onde estou?” pensa, “o que aconteceu?” continua a interrogar-se enquanto tenta mexer-se de modo a não acordar louras ou morena, ruiva ou mulata. Está rodeado, se se tentar levantar vão acordar. Não sabe porquê mas não quer que tal aconteça. A pouco e pouco tenta reorganizar as ideias e reconstruir os eventos que o levaram a estar ali e agora. Como flashes de um filme vê cenas do dia anterior.

O acordar com um cheiro a café fresco e o som de uma porta a fechar-se. Ela tinha de ir cedo, avisara-o disso. Levantar-se vagarosamente guiado pelo cheiro a café. Beber a chávena deixada à sua espera abrindo os olhos finalmente. Olhando um papel com coordenadas GPS fixando-o e expelindo um anel de fumo do primeiro cigarro do dia, como que a marcar o seu objectivo: o local onde poderia encontrar alguém que andava a plagiá-lo.
 Vê-se a conduzir um velhinho UMM num trilho que mais parece um caminho de cabras.

Uma das louras mexe-se e ele fixa-a parando por instantes de “ver”. Ela continua a dormir e ele regressa às lembranças da sua odisseia.

Olhando em frente avista uma clareira, mais à frente o que parece ser uma passagem na parede de pedra do sopé do monte. Não se vê viva alma e o silêncio é apenas entrecortado pelo chilrear de um pássaro, de quando em vez, agora que o motor do seu UMM se silenciou. Pega na lanterna e na corda que tinha trazido “just in case” e dirige-se para a abertura. Penetra na pequena abertura entre as rochas cautelosamente, atento pois não lhe parece ser um bom local para ser surpreendido. Poucos passos para dentro da montanha pensa em acender a lanterna, continua a não ouvir nada a não ser os próprios passos. Ao longe avista uma luz.


- Ainda estás a tentar lembrar-te como vieste aqui parar?

Levanta cabeça na direcção da voz feminina sensual mesmo no tom trocista. Vê uma mulher alta toda vestida de cabedal preto e justo, evidenciando as formas perfeitas do seu corpo esbelto, escultural mesmo. Botas altas, saltos agulha. Longos cabelos pretos, pele branquíssima e olhos claros, um azul outro verde.

- Sim, estou aqui. Não sou um produto da tua imaginação!

Não consegue dizer nada. Procura desesperadamente em sua mente um flash onde ela apareça.

- Então elas estavam à altura das tuas fantasias? Não me digas que não te lembras!?

De repente recorda-se de tudo, da sala esculpida na rocha que encontrou, desta mulher sentada numa secretária enorme. Recorda a conversa que tiveram, o desafio dela. O desejo dele a noite…

- Boa tentativa mas não me vais fazer perder o desafio, não acordaram e está na altura de confirmares que cumpri o combinado.

Ela deu dois passo em direcção à cama onde ele estava e fitou-o soerguendo um dos cantos dos belos lábios pintados de vermelho.

- Foste um herói, cinco mulheres à tua volta dispostas a satisfazer todos os teus desejos e aguentaste, firme mesmo que hirto!

Solta uma gargalhada profunda que ecoa pelo quarto e faz despertar as cinco mulheres. Que se erguem lentamente olhando-o fixamente.

- E então tenho direito ao meu prémio?
- Tens e vou dar-te um bónus… vais ter-nos a todas… pode ser que assim fiques com material para mais uns livros para eu plagiar.

Solta outra gargalhada e com um gesto ordena as cinco mulheres a avançarem sobre o “pobre” Ulisses. Com dificuldade tenta registar todas as sensações que experiencia. Mãos que percorrem o seu corpo, bocas, línguas, lábios detêm-se em cada centímetro da sua pele. As suas mãos sentem, mamas, cús, vaginas húmidas. Por entre beijos e cabelos que lhe passam à frente dos olhos, observa como aquela mulher escultural se vai despindo para ele enquanto o vê ser “devorado” pelas outras cinco. As luvas e as calças jazem no chão enquanto desaperta o corpete. De seguida retira as botas que parecem deslizar sem esforço. Fica apenas de sutiã e fio dental olhando-o a ser comido. Sim porque todas se “serviam” do seu membro erecto que já sentira bocas, mãos, vulvas e até um cuzinho, apertadinho por sinal.

- Já chega, agora ele é meu!

As cinco mulheres afastam-se relutantemente, nos seus olhos ainda arde o desejo de o terem para elas. Ulisses tenta recuperar o fôlego enquanto observa aquela escultura viva a aproximar-se andando sobre a cama.

- Vá reclama o teu prémio…

Ulisses fixa aqueles olhos, um azul outro verde, levanta os braços na direcção dela, que está agora ajoelhada à sua frente. Retira a coleira de couro que permanecia no pescoço dela e faz deslizar as mãos ombros abaixo num gesto suave mas rápido baixando as alças do sutiã. Na continuação do movimento desaperta o fecho expondo os belos seios e os mamilos hirtos a pedirem atenção. Não resiste e abocanha um e depois o outro provocando os primeiros gemidos de prazer. As mãos continuam em trajectória descente até encontrarem a última peça de roupa que permanece e que é arrancada à quele corpo sem piedade. Sente-a encharcada ansiando por ele. Olha-a nos olhos que também não conseguem disfarçar a vontade. Empurra-a pelos ombros deixando-a deitada de pernas abertas à sua frente. Pega-lhe nos pés e passa a língua pelas solas de cada um dos dedos grandes. Afasta uma das pernas e desliza vagarosamente a língua pela outra em direcção ao vértice do prazer. Sente as costas dela arquearem quando a prova finalmente. Levanta-se debruçando-se em seguida sobre ela e colocando os seus lábios a milímetros dos dela. Encosta a ponta do seu falo à entrada da porta para o paraíso e sento o pulsar daquele corpo que deseja o dele.

- Vá fode-me porra!
- Estava a ver que não pedias…

Enfia-se nela de uma vez e sente uma explosão de energia a percorrer ambos os corpos unidos como um. A sintonia dos movimentos com o acelerar do ritmo compassado pelos gemidos, que se transformam em berros de prazer, enche o quarto. Não sabe quanto tempo durou, quantos orgasmos dela sentiu mas quando finalmente chega o seu, satisfá-lo que venha acompanhado de mais um dela.




Acorda com a boa seca, levanta-se e procura um papel. Tem de escrever o sonho que acaba de ter…




FATifer

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

histórias e contos


Aqui estão resumidos (de forma cronológica) para fácil acesso, as histórias e contos que já publiquei:
(esta nunca dei nome)
Posteriormente nomeada "a vida continua"
Parte I  Parte II  Parte III  Parte IV  Parte V 

O bunker para o inverno nuclear
Cap. 1  Cap. 2  Cap.3  Cap.4  Cap.5  Cap.6  Cap.7 

Mais um que conto

Porque há sempre excepções às regras, este nasceu de resposta a um desfio (coisa que raramente faço)
"Um Encontro Perfeito"    "Um Encontro Perfeito" II
"Um Encontro Perfeito" III  "Um Encontro Perfeito" IV
"Um Encontro Perfeito" V

Porque alguém pediu escrevi...
porque alguém pediu  porque alguém pediu II

Porque posso...
I  II  III  IV  V  VI  VII  VIII IX X
XI  XII  XIII  XIV  XV  XVI  XVII  XVIII XIX
XX  XXI  XXII  XXIII  XXIV XXV XXVI XXVII XXVIII  XXIX
XXX

Será que por aqui surgirão novas adições a esta colecção?...


FATifer